Co-Regulação de Emoções na Infância: “Se Tu Sentes, Eu Sinto Contigo”
- Raquel Brito
- 10 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
A capacidade de uma criança pequena se autorregular, ou seja, de regular as suas próprias emoções de forma autónoma e completamente independente é mais difícil do que todos nós imaginamos.
Primeiro vamos entender o que é a capacidade de autorregulação: é a capacidade de compreender e gerir as nossas reações e os nossos comportamentos a coisas externas ou a sentimentos internos que acontecem no ambiente à nossa volta. Ser capaz de regular as suas reações a emoções fortes, ser capaz de se acalmar depois de uma situação perturbadora, controlar os impulsos, dirigir a própria atenção para uma tarefa específica, são alguns dos exemplos do que é a “autorregulação”.
Esta capacidade de autorregulação é uma das tantas competências que se adquirem com o tempo, conforme a criança vai crescendo e desenvolvendo-se. Por isso, é que as emoções em crianças até aos 5 anos, são vividas de forma bastante intensa e tão diferente dos adultos. Além de que, as suas competências de comunicação não são ainda as mais adequadas, o que dificulta todo o processo, pelo que a única forma que as crianças conhecem bem para comunicarem as suas frustrações é o choro.
Mas, para além do avanço do desenvolvimento, as crianças desenvolvem esta capacidade de autorregulação através das relações afetuosas e responsivas das suas figuras significativas e mesmo através da observação da capacidade de autorregulação do próprio adulto, replicando como o adulto é capaz de gerir as suas emoções em momentos de raiva e frustração. Mais uma prova de que somos os modelos para a vida das nossas crianças. Desta forma, se não estamos satisfeitos com o comportamento das crianças, observemos primeiro aquilo que lhes estamos a transmitir e a retribuir.
Assim sendo, desta capacidade de autorregulação surge um aspeto fundamental para os mais pequenos: a corregulação emocional.
A corregulação emocional é “emprestarmos” o nosso equilíbrio emocional à criança, para que também ela consiga construir o seu. Neste processo existem três aspetos preciosos: a empatia, a conexão e a validação de emoções. Primeiramente, em situações de stress, não esquecer que estamos diante de um Ser Humano em desenvolvimento e que, aquela reação é a única que ainda conhece e na qual precisa de um adulto capaz para o orientar nesse sentido. Posteriormente, conectar-se à criança no momento da crise, não a deixando só ou ignorando-a. O contacto visual e físico gera na criança uma sensação de proteção e conforto que funcionam como bases de apoio que a ajudarão a encontrar o seu equilíbrio. Não esquecendo a importância, por parte do adulto, da existência de uma boa dose de paciência e serenidade. Após existir uma certa empatia e de haver um acolhimento da
reação da criança com carinho e compreensão, surge a validação das emoções que pode ser feita por uma pequena conversa em que se nomeiam as emoções que a criança sentiu e que estas mesmas emoções poderão aparecer muitas outras vezes, mas que poderão e precisarão de serem controladas.
Assim, a corregulação emocional é a porta de entrada para que a criança consiga, cada vez mais, lidar com as suas próprias emoções e seja capaz de se acalmar em momentos de total frustração. Por isso, se as crianças sentem, vamos sentir com elas.


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